Sismo de 1980 nos Açores

Re: Sismo 1980 -Terceira - Açores (YOUTUBE)

Impressionantes as imagens :shocking:
Destruição generalizada... nesse tempo os media tinham muito menos projecção e os meios eram outros daí essa desgraça praticamente não fazer eco nos dias de hoje... se fosse hoje tínhamos tema para telejornais para um mês...
 
Re: Sismo 1980 -Terceira - Açores (YOUTUBE)

Foi mediatizado, para os tempos que eram... Lógico que não é como hoje, com directos, etc,etc. As comunicações não eram o que são hoje.
Mas lembro-me de em puto ver muitas imagens do sismo na minha TV a preto e branco, que na altura eu ainda não tinha a cores. Também me recordo da onda de solidaredade, de pedirem ajuda nas escolas, igrejas, etc.

Apesar das dezenas de mortes e milhares de feridos, não foi uma tragédia humana de proporções gigantescas porque ocorreu a meio da tarde, com muita população fora das suas casas ou que conseguiram fugir para o exterior a tempo.

Vou mudar o Titulo do tópico para Sismo dos Açores 1980, e aproveita-se para colocar mais coisas sobre este trágico sismo, que não afectou apenas a Terceira. Há muita coisa para contar sobre este sismo, desde a destruição generalizada de Angra do Heroismo, o pequeno Tsunami ou até a notável historia dum salvamento por helicóptero duma aldeia inteira na Ilha de S. Jorge, a Fajã da Caldeira de Santo Cristo, pela Força Aérea. A Fajã ficou completamente isolada, sem comunicações nem vias de acesso. Vou tentar encontrar mais informação para colocar aqui.
 
Re: Sismo nos Açores 1/Janeiro/1980

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1 de Janeiro de 1980 (Domingo)

Pelas 15 h 42' 38", GMT, a cerca de 12 km de profundidade, algures no canal entre São Jorge e Terceira, ocorreu um sismo com a duração de 11" a 20", e a intensidade VIII da escala modificada de Mercalli.
Originando um pequeno Tsunamis observado em Cais do Pico, Calheta de São Jorge e Biscoitos (na Terceira) e registado nas Baías de Horta e Angra do Heroísmo, o sismo provocando cerca de 400 feridos atingiu duramente as Ilhas:

* Terceira - com a intensidade de 8,5 causou a morte de 50 pessoas e o desaparecimento de uma.
Provocou a destruição de 62 % do parque habitacional.
* São Jorge - com a intensidade de 8 no Topo e Santo Antão.
Morreram 11 pessoas e desapareceram 9.
Provocou a destruição de 41 % do parque habitacional.
* Graciosa - atingindo a intensidade de 7, provocou a destruição de 54 % do parque habitacional.
* Pico - atingindo a intensidade de 5,5 na Piedade, provocou a destruição de algumas adegas, palheiros e arrumações.

causando um prejuízo estimado de cerca de 25.000.000.000$00 de escudos (PTE).

Fonte: São Jorge Digital



(c) Livro "Terramoto 1.1.80 | novas imagens"


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Tinha 11 anos quando o sismo aconteceu. Estava um belo dia e havia muita gente na rua a desfrutar o bom tempo. Se tivesse sido durante a noite tinham morrido muitas mais pessoas.
No porto de pesca da minha freguesia (São Mateus da Calheta) houve quem tivesse visto a baia a ficar sem água devido ao mar ter recuado.
No dia seguinte desloquei-me com o meu pai a Angra do Heroísmo e só me fez lembrar as imagens das cidades bombardeadas dos documentários sobre a II Grande Guerra.
Na rua da rocha abriu uma fenda no caminho.
Se fosse hoje, provavelmente os estragos teriam sido menores uma vez que, na sequência desse sismo e da necessidade de reconstruir o parque habitacional, foi aprovada pelo Governo Regional legislação no sentido de obrigar a que as reconstruções e as novas construções obedecessem a regras de construção antissismica.
Houve uma onda de solidariedade para com os sinistrados (dentro e fora da região) e todos ajudavam toda a gente. Lembro-me de irmos aos fins de semana ajudar os amigos a reparar os estragos nas suas casas, até chegar à nossa vez de sermos ajudados.
O parque habitacional da Ilha Terceira melhorou bastante a partir dessa altura e desde então todas as casas possuem casa de banho, o que era muito raro antes do sismo (pelo menos nas zonas rurais), onde era habitual a existência de uma retrete no quintal (de inverno não era lá muito agradável).
 
Lembro muito bem desse dia!

Estava eu em casa para sair quando os lustres do salão começaram a dançar e a cintilar. Minutos depois ligámos o rádio e soubemos que tinha dado um abalo muito forte na Terceira.
Além da Terceira foi também sentido na Graciosa (onde houve também muita destruição de casas) em S. Jorge e em S. Miguel.
O que aconteceu na Terceira em 1980, vai-se repetir de novo. É só uma questão de tempo. A história dos Açores ensina-nos isso. Pode ser na Terceira, como pode ser agora em S. Miguel.
A Fossa da Hirondelle um dia mais cedo ou mais tarde vai acordar de novo, tanto poderá ser para o lado da Terceira, como poderá ser para o lado de S. Miguel.
Arrisco mesmo a dizer que num futuro podemos vir a falar de uma possível décima ilha nos Açores, uma vez que a problemática vulcânica e tectónica no arquipélago nem nos próximos milhares de anos será encerrada...é a nossa realidade.
 
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É a nossa realidade @Azor, mas felizmente tanto a actividade sísmica (de grande magnitude) e vulcânica na nossa região é bastante ligeira a comparar com muitos outros sítios no mundo. Um dos grandes problemas que temos em termos de sismos é que ocorrem sempre a baixa profundidade <20km, e quando são localizados perto de uma ilha o seu impacto é sempre grande (exemplo Faial 1998), mas felizmente os maiores sismos na última década nos Açores tem sido sempre em zonas "distantes" das ilhas.
 
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Um sismo destruiu quase por completo a cidade de Angra do Heroísmo há 35 anos, mas a população arregaçou mangas e passados três anos o seu centro histórico integrava a lista de Património Mundial da Unesco.


No dia 01 de janeiro de 1980, às 15:42, um sismo com intensidade de 7,2 na escala de Richter e epicentro no mar, a 35 quilómetros a sudoeste da cidade de Angra do Heroísmo, abalou as ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge, nos Açores. Morreram 73 pessoas e mais de 20 mil ficaram desalojadas.

Passados 35 anos, existem casos pontuais de edifícios por recuperar no centro histórico de Angra do Heroísmo, mas a maior parte foi reerguida rapidamente, sobretudo graças às linhas de crédito com baixos juros disponibilizadas na altura.

"Os particulares tiveram um papel, a meu ver, preponderante na reconstrução de Angra. Empenharam-se, esforçaram-se, endividaram-se, mas também houve muitas linhas de crédito favoráveis e as pessoas de facto entusiasmaram-se e reconstruiram Angra rapidamente", salientou, em declarações à Lusa, João Maria Mendes, presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT).

Em 1983, a cidade ainda não estava totalmente reconstruída, mas as pessoas estavam sensibilizadas para a necessidade de respeitar a traça original das casas e a Unesco (o organismo das Nações Unidas para a educação e cultura) aceitou integrar o centro histórico de Angra do Heroísmo na sua lista de sítios classificados como Património Mundial da Humanidade.

O reconhecimento da Unesco contribuiu, segundo João Maria Mendes, para a sensibilização das pessoas, mas a mudança de postura perante o património não foi "espontânea".

Para o presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira, houve um conjunto de personalidades, ligadas ao Governo Regional e não só, que motivaram as pessoas e um programa de televisão que contribuiu para esse processo.

Na altura, a RTP/Açores era o único canal disponível na região e o programa de Jorge Forjaz, então diretor regional dos Assuntos Culturais, foi "uma das coisas que mais influenciaram esta mudança de mentalidades".

Com a classificação do centro histórico e a sua inclusão na lista da Unesco criou-se também legislação para salvaguardar o património, mas antes muito chegou a ser perdido e algum foi recuperado já prestes a ir para a lixeira.

Atualmente, ainda existem, pelo menos, três casas e duas igrejas no centro de Angra do Heroísmo em ruínas desde o sismo de 1980, mas apenas uma das propriedades pertence a privados.

"O Governo [Regional], por um lado, apoiou muito os privados e foi ótimo, por outro lado, naquilo que era seu, descurou", lamentou João Maria Mendes.

Em 1980, a autonomia tinha menos de uma década e a administração pública regional não tinha a dimensão que tem hoje, mas para o presidente do IHIT isso tornava-a "mais próxima dos acontecimentos".

"Os meios eram muito menores, mas se calhar havia uma vontade, um empenhamento, uma energia muito maiores", salientou.

A ideia de classificar o centro histórico de Angra do Heroísmo já vinha a ser pensada, antes mesmo do sismo, por Baptista de Lima, na altura presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira.

O terramoto acelerou o processo e João Maria Mendes admite que a planificação da reconstrução pós-sismo possa ter contribuído para a inclusão na lista da Unesco, embora o património de Angra do Heroísmo vá muito para além do edificado.

"Havia muito a ideia de que só se classificava património construído. A classificação de Angra implicou nitidamente também um conceito imaterial", frisou.

A planificação de uma cidade renascentista numa ilha no meio do atlântico pesou na classificação, mas também o facto de Angra ter sido a grande escala das rotas das Índias.

Para João Maria Mendes, a reconstrução da cidade, de acordo com regras rígidas, contribuiu não só para a valorização do património, como para a melhoria das habitações, que atualmente estão mais resistentes aos sismos.

"Esperemos que nunca aconteça, mas se porventura acontecesse o mesmo sismo que aconteceu no dia 01 de janeiro de 1980, as consequências seriam infimamente menores", frisou.

Fonte:AcorianoOriental
 
Hoje faz precisamente 40 anos do mais trágico e intenso sismo no Arquipélago dos Açores no Séc. XX.

Sismo de 1 de janeiro de 1980 foi há 40 anos


Hoje, dia 1 de janeiro, faz 40 anos que ocorreu o sismo catastrófico de 1980. Atingindo magnitude de 7,2 na escala de Richter e com epicentro localizado a cerca de 50 km a WNW de Angra do Heroísmo, este sismo causou elevados danos materiais nas ilhas Terceira e de S. Jorge, e danos menores na ilha Graciosa. Mais de 15.000 edifícios ficaram total ou parcialmente destruídos.

As freguesias mais afetadas foram Doze Ribeiras, Santa Bárbara, Serreta e Cinco Ribeiras, situadas na metade ocidental da ilha Terceira, e a freguesia do Topo, localizada na ponta oriental da ilha de São Jorge, onde atingiu intensidade máxima de VIII na Escala Macrossísmica Europeia (EMS-1998).

O sismo de 1980 provocou um tsunami de fraca magnitude, somente detetado instrumentalmente pelos marégrafos de Angra do Heroísmo e da Horta, não provocando quaisquer danos