Seguimento Rios e Albufeiras - 2025

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Já temos dados no Pulo do Lobo, está forte sim senhor.

Ver anexo 20768

E o Boletim já saiu, que espetáculo de subidas.

Ver anexo 20771
Guadiana, Sado e Sotavento praticamente sem qualquer capacidade de encaixe. Os cerca de 100 mm previstos para a semana que hoje se inicia vão quase todos escoar rapidamente para o mar, muito pouco se infiltrará (quase todo o país com os solos na capacidade de campo), e o pouco que se vai conseguir encaixar nas albufeiras só ocorrerá porque estas estiveram a descarregar nos últimos dias.
Durante a próxima seca, as centenas de hectómetros cúbicos que se poderiam ter armazenado e que irão parar ao mar vão fazer muita falta. É urgente construir mais albufeiras de grandes dimensões.
 
Já temos dados no Pulo do Lobo, está forte sim senhor.

Ver anexo 20768

E o Boletim já saiu, que espetáculo de subidas.

Ver anexo 20771

Vai valendo no Guadiana os seus monstros que continuam vazios.
La Serena quase quase nos 50% com 1600hm³.
Está a receber 900m³/s.
Cijara também vazia ainda.
O que faz que em Badajoz passem 220m³ para o Guadiana.
Zêzere continua a descarregar para ganhar encaixe, falta derreter a neve na Estrela, o que aumentará os caudais.
O Douro espanhol terá muita neve derretida para escoar, as barragens de montanha estão cheias e a tentar ganhar encaixe, barrios de la Luna, Porma e Riaño andam pelos 90%.
Ricobayo no troco final do Esla está a 45% e Almendra no Tornes mantém pelos 70%.
Pelo Tejo temos a barragem detestada pelos portugueses no Verão e amada no Inverno a segurar uma cheia, ainda só está a 81% e ainda aguenta uma Cabril.
Valdecañas já a 94% e Gabriel e Galan na serra da gata a 82%.

As barragens de Buendia e entrepeñas, de onde se faz o transvase mantém se vazias.
 
Hoje deu uma reportagem numa das nossas tv's sobre os lençóis freáticos, mas infelizmente estava ocupado e agora depois de 1 hora a rever vários canais não consigo me lembrar em qual deu nem em que horário, só sei que foi depois de almoço. Alguém deu conta dessa reportagem?
 
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Guadiana, Sado e Sotavento praticamente sem qualquer capacidade de encaixe. Os cerca de 100 mm previstos para a semana que hoje se inicia vão quase todos escoar rapidamente para o mar, muito pouco se infiltrará (quase todo o país com os solos na capacidade de campo), e o pouco que se vai conseguir encaixar nas albufeiras só ocorrerá porque estas estiveram a descarregar nos últimos dias.
Durante a próxima seca, as centenas de hectómetros cúbicos que se poderiam ter armazenado e que irão parar ao mar vão fazer muita falta. É urgente construir mais albufeiras de grandes dimensões.
Respeito a tua opinião, mas não concordo.

1º) O país precisa de fazer, antes de mais, um uso muito mais eficiente da água. No Algarve, por exemplo, há quilómetros e quilómetros quadrados de relvados (particulares, aldeamentos, municipais,...), autênticos sumidouros de água e, quanto aos campos de golfe, só agora se começa a projetar o uso de águas tratadas para a rega (ainda estou para perceber quem vai pagar a construção das condutas que levarão essas águas até aos campos de golfe, mas "cheira-me" que será o contribuinte. Na atualidade, das dezenas que existem, apenas o dos Salgados utiliza água tratada para a rega). E que dizer das apostas feitas no domínio da agricultura, de longe o maior consumidor de água?! Numa das zonas mais secas do país, aposta-se em culturas tropicais, como o abacate...
2º) Há barragens, como a da Bravura, com significativas perdas de água...e não será certamente a única. Dos municípios algarvios, que eu conheça, apenas um, o de Silves, tem apostado em tecnologias para deteção de fugas subterrâneas nas condutas. A maior parte das pessoas só pensa neste problema quando estas fugas se tornam visíveis à superfície, mas há hectolitros e mais hectolitros cúbicos que se perdem, em fugas nos sistemas de abastecimento, até serem detetados. A soma de todas estas perdas, de todo este desperdício diário, agora mesmo enquanto estou a escrever estas linhas, encheria quantas barragens?
3º) É claro que o país não é só o Algarve, mas há uma cultura de desleixo, de desperdício, de uso ineficiente da água (da energia e de outros recursos, a começar pelo dinheiro dos nossos impostos, enfim, da riqueza que o país produz,...) que nos empobrece todos os dias; e a solução mágica são sempre as grandes obras de betão.
4º) Há estudos que justifiquem a construção dessas barragens? Há estudos que comprovem a sustentabilidade dessas barragens, ou seja, e se este ano for apenas uma exceção que não apaga a realidade da diminuição da precipitação no sul de Portugal, haverá chuva para encher esses "alquevas"?! Ou bastará um ano como este, que talvez ocorra uma vez por década, para os encher?! Vamos construir barragens, incentivados por um ano de fartura, para depois as vermos ficarem a 20% nos anos seguintes? Quantas barragens são necessárias para tornar sustentável a "algarvização" do litoral de Grândola até Tróia?
5º) Por último, a destruição da biodiversidade provocada pela construção destas estruturas, tem impactos graves no próprio ser humano, estamos a falar de custos económicos, não é apenas uma questão de proteger as "plantinhas" e os "animais". A construção destas estruturas, por exemplo, também trava as dinâmicas sedimentares, com impactos na deposição de areias na costa com todos os efeitos ambientais e económicos decorrentes deste fenómeno.
6º) Obviamente que precisamos de barragens! Precisamos de "algumas" barragens, não podemos ter todos os cursos de água bloqueados por barragens, muito menos por mega-barragens. Precisamos isso sim, na água, como noutros recursos, de ter uma cultura de responsabilidade, de exigência, de premiar quem usa os recursos de forma eficiente e de penalizar quem os desperdiça. Precisamos de ter uma estratégia...de momento, não temos nada, apenas rezamos, a cada final de Verão, para que o ano hidrológico seguinte nos tire da seca crónica.
 
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Respeito a tua opinião, mas não concordo.
1º) O país precisa de fazer, antes de mais, um uso muito mais eficiente da água. No Algarve, por exemplo, há quilómetros e quilómetros quadrados de relvados (particulares, aldeamentos, municipais,...) e, quanto aos campos de golfe, só agora se começam a projetar o uso de águas tratadas para a rega (ainda estou para perceber quem vai pagar a construção das condutas que levarão essas águas até aos campos de golfe, mas cheira-me que será o contribuinte...Na atualidade, das dezenas que existem, apenas o dos Salgados utiliza água tratada para a rega). E que falar da agricultura, de longe o maior consumidor de água? Numa das zonas mais secas do país, aposta-se em culturas tropicais, como a abacate...
2º) Há barragens, como a da Bravura, com significativas perdas de água. Dos municípios algarvios, que eu conheça, apenas um, o de Silves, tem apostado em tecnologias para deteção de fugas subterrâneas nas condutas...a maior parte das pessoas só pensa neste problema quando estas fugas se tornam visíveis à superfície, mas há hectolitros e mais hectolitros que se perdem, em fugas nos sistemas de abastecimento, até serem detetados. A soma de todas estas perdas, de todo este desperdício diário, agora mesmo enquanto estou a escrever estas linhas, encheria quantas barragens?
3º) É claro que o país não é só o Algarve, mas há uma cultura de desleixo, de desperdício, de uso ineficiente da água (da energia e de outros recursos, a começar pelo dinheiro dos nossos impostos, enfim, da riqueza que o país produz,...) que nos empobrece todos os dias; e a solução mágica são sempre as grandes obras de betão.
4º) Há estudos que justifiquem a construção dessas barragens? Há estudos que comprovem a sustentabilidade dessas barragens, ou seja, e se este ano for apenas uma exceção que não apaga a realidade da diminuição da precipitação no sul de Portugal, haverá chuva para encher esses "alquevas"?! Ou bastará um ano como este, que talvez ocorra uma vez por década, para os encher?! Vamos construir barragens, incentivados por um ano de fartura, para depois as vermos ficarem a 20% nos anos seguintes? Quantas barragens são necessárias para tornar sustentável a "algarvização" do litoral de Grândola até Tróia?
5º) Por último, a destruição da biodiversidade provocada pela construção destas estruturas, tem impactos graves no próprio ser humano, estamos a falar de custos económicos, não é apenas uma questão de proteger as "plantinhas" e os "animais". A construção destas estruturas, por exemplo, também trava as dinâmicas sedimentares, com impactos na deposição de areias na costa com todos os efeitos ambientais e económicos decorrentes deste fenómeno.
6º) Obviamente que precisamos de barragens! Precisamos de "algumas" barragens, não podemos ter todos os cursos de água bloqueados por barragens, muito menos por mega-barragens. Precisamos isso sim, na água, como noutros recursos, de ter uma cultura de responsabilidade, de exigência, de premiar quem usa os recursos de forma eficiente e de penalizar quem os desperdiça. Precisamos de ter uma estratégia...de momento, não temos nada, apenas rezamos, a cada final de Verão, para que o ano hidrológico seguinte nos tire da seca crónica.
1) Sem dúvida, nada a dizer, há usos injustificados de água em zonas com precipitação reduzida.

2) Há um valor elevadíssimo de perdas físicas de água nos sistemas de abastecimento de água (mais concretamente 21 hm3/ano, ou seja, 0,5% do volume do Alqueva por ano, segundo dados do RASARP 2024, mesmo assim o valor mais baixo dos últimos 5 anos), mas vários municípios e outros stakeholders do sector têm estado atentos aos problemas e estão a decorrer alguns (ainda poucos) projectos para redução de perdas.
No entanto, sendo possível reduzir ligeiramente as perdas através da redução de pressão em algumas áreas e de maior monitorização das redes que permita intervenções mais rápidas em roturas de maiores dimensões, é neste momento inviável substituir todas as condutas que já passaram do seu período de vida útil e a situação tenderá a agravar-se nos próximos anos, porque a idade da infraestrutura vai crescendo.
As condutas existentes deveriam estar a ser substituídas ao ritmo de 2% da rede ao ano, e o que se tem conseguido é um valor 10 vezes inferior. Para conseguir o objectivo seria necessário um investimento 10 vezes superior.

4) Obviamente que há estudos, e que as barragens são necessárias. Sim, há caudal para encher essas barragens e quanto mais raros estes anos húmidos forem mais barragens serão necessárias. Se todos os anos fossem como este é que não seria necessária mais nenhuma barragem, porque já há capacidade de regularização intraanual.
A "algarvização" do litoral alentejano é uma gota no oceano quando comparado com as necessidades de água para os novos investimentos da Zona Industrial de Sines, e sim, esta zona necessita de um forte reforço da capacidade de armazenamento, porque são investimentos que vão trazer forte retorno para a economia do país.

5) Todas as obras têm impactes e todos os impactes são mitigáveis. Por essa razão se realizam os Estudos de Impacte Ambientais.

6) É preferível construir 4 mega barragens do que 30 barragens de pequena dimensão, pelas razões que apontaste em 5).
Como bem escreves, a estratégia actual é rezar para que no ano seguinte não ocorra uma seca. É para evitar isso que é necessário armazenar um volume de água suficiente para 2 ou 3 anos secos consecutivos.
 
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Hoje deu uma reportagem numa das nossas tv's sobre os lençóis freáticos, mas infelizmente estava ocupado e agora depois de 1 hora a rever vários canais não consigo me lembrar em qual deu nem em que horário, só sei que foi depois de almoço. Alguém deu conta dessa reportagem?
Encontrei, foi no programa da Dina Aguiar, como é possível com a chuva que tem caído, o vale de Santarém ainda estar com problemas na reposição de água subterrânea.
Começa perto dos 22 minutos.

 
1) Sem dúvida, nada a dizer, há usos injustificados de água em zonas com precipitação reduzida.

2) Há um valor elevadíssimo de perdas físicas de água nos sistemas de abastecimento de água (mais concretamente 21 hm3/ano, ou seja, 0,5% do volume do Alqueva por ano, segundo dados do RASARP 2024, mesmo assim o valor mais baixo dos últimos 5 anos), mas vários municípios e outros stakeholders do sector têm estado atentos aos problemas e estão a decorrer alguns (ainda poucos) projectos para redução de perdas.
No entanto, sendo possível reduzir ligeiramente as perdas através da redução de pressão em algumas áreas e de maior monitorização das redes que permita intervenções mais rápidas em roturas de maiores dimensões, é neste momento inviável substituir todas as condutas que já passaram do seu período de vida útil e a situação tenderá a agravar-se nos próximos anos, porque a idade da infraestrutura vai crescendo.
As condutas existentes deveriam estar a ser substituídas ao ritmo de 2% da rede ao ano, e o que se tem conseguido é um valor 10 vezes inferior. Para conseguir o objectivo seria necessário um investimento 10 vezes superior.

4) Obviamente que há estudos, e que as barragens são necessárias. Sim, há caudal para encher essas barragens e quanto mais raros estes anos húmidos forem mais barragens serão necessárias. Se todos os anos fossem como este é que não seria necessária mais nenhuma barragem, porque já há capacidade de regularização intraanual.
A "algarvização" do litoral alentejano é uma gota no oceano quando comparado com as necessidades de água para os novos investimentos da Zona Industrial de Sines, e sim, esta zona necessita de um forte reforço da capacidade de armazenamento, porque são investimentos que vão trazer forte retorno para a economia do país.

5) Todas as obras têm impactes e todos os impactes são mitigáveis. Por essa razão se realizam os Estudos de Impacte Ambientais.

6) É preferível construir 4 mega barragens do que 30 barragens de pequena dimensão, pelas razões que apontaste em 5).
Como bem escreves, a estratégia actual é rezar para que no ano seguinte não ocorra uma seca. É para evitar isso que é necessário armazenar um volume de água suficiente para 2 ou 3 anos secos consecutivos.
Tens razão nalguns dos pontos que enumeras.

Há certamente pontos intermédios entre ter todos, ou quase todos, os rios sem barragens e continuar a apostar de forma reiterada neste tipo de estruturas, ignorando e minimizando os seus impactos negativos. E obviamente que compreendo a necessidade estratégica de termos reservas de água, até por questões de soberania nacional.

Mas num país sem uma estratégia definida e clara para um uso sustentável da água, com desperdícios brutais e usos abusivos (agricultura, turismo, indústria,...) sem qualquer sustentabilidade a médio prazo, recuso-me a acreditar que a situação passe sobretudo pelo recurso à construção de mais barragens em claro contraciclo com o que se planeia em boa parte da Europa.

Pontualmente, claro, há situações que podem justificar a construção de novas barragens, mas muito honestamente, e para concluir o meu raciocínio, não haverá assim tantas bacias hidrográficas, em particular a Sul, ainda com margem para albufeiras de grande dimensão.

PS - Sobre todos os impactos serem mitigáveis e os estudos de impacto ambiental muito haveria a dizer...
 
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Mas num país sem uma estratégia definida e clara para um uso sustentável da água, com desperdícios brutais e usos abusivos (agricultura, turismo, indústria,...) sem qualquer sustentabilidade a médio prazo, recuso-me a acreditar que a situação passe sobretudo pelo recurso à construção de mais barragens em claro contraciclo com o que se planeia em boa parte da Europa.
O "contraciclo" é relativo... Nos dias de hoje, para uma mesma potência instalada, consegue-se um impacto menor numa instalação fotovoltaica ou eólica, quando comparado com uma mini hídrica. Aí faz sentido ir libertando os rios.

Por outro lado, que é aquilo que acontece em Portugal, deixa-se de produzir e desenvolver por falta de água. E estamos longe de ser o país mais seco da Europa. Há desperdício? Há! Há uso abusivo? Sim. Mas há também muita falta de estratégia e visão que nos fez ficar para trás. Aliás, o verdadeiro contraciclo em relação à Europa foi/é em muitos temas, pagar/receber para não produzir/desenvolver.

Eu defendo que, perante a irregularidade da precipitação, há que armazenar nos momentos de fartura para sermos soberanos nos períodos de seca.
Não tenho dúvidas que se o Alqueva não tivesse sido construído quando o foi, hoje não o seria. Porque as vozes do nunca vai encher, etc, etc, iriam ganhar. A estratégia passa pela gestão, mas sobretudo pelo planeamento e visão estratégica.

Hoje, Santa Clara, a maior albufeira da região sul a seguir ao Alqueva, chegou aos 52%. Ontem estava nos 49%.
Monte da Rocha está nos 29%. (+4% que ontem).
 
Eu defendo que, perante a irregularidade da precipitação, há que armazenar nos momentos de fartura para sermos soberanos nos períodos de seca.
O problema é que em Portugal, as coisas não funcionam assim... Quando há factura, é gastar e gastar, e depois quando a situação já está no limite, aí é que se tomam medidas.
 
Valores bem distintos no Guadiana espanhol (que ainda estou a seguir :hehe:):
Guadiana em Badajoz mantém 227m3/s
Ardila 514m3/s + Murtegas 186m3/s = mais de 700m3/ a chegar dai…