Sinceramente não há grande possibilidade de construir grandes barragens em Portugal . Já nem estamos a falar se os rios têm caudal ou não , ou se chove ou não. Depois estar a fazer barragens para uma duzia de inuteis fazerem coisas como destruirem o parque natural da costa vincentina com estufas até ás falésias , para produzir mirtilhos para serem consumidos por alemães e ingleses , eles que levem as estufas para os países deles . Sempre se poupa em emissões de CO2 ao evitar-se o transporte. Olhando ao nosso país onde é que se construiriam essas grandes barragens? Podia fazer-se um paredão de Monsanto á Arrabida? O chato é que a água ia para a leziria e fugia para o mar por Setubal. Um paredão da serra de Arga até aos montes de Ponte de Lima? O Lima tem muito caudal , mas inundava Ponte de Lima , Barca e Arcos. De resto onde é que a geografia tem caracteristicas para se fazerem essas super barragens? Onde é que em Portugal se poderia fazer uma barragem que leva-se por exemplo 400 ou 500 hm3 , e que tivesse uma bacia minimamente em condições para a alimentar , mesmo destruíndo uma media ou grande cidade? Julgo que não há . Mesmo Girabolhos ou Alvito no Ocreza no maximo teriam cerca de 200hm3 e não estão em zona propriamente necessitada.
Se tivéssemos que produzir aquilo que consumimos, numa questão de autossuficiência, não seria só o parque natural da costa vicentina que seria sacrificado. Afinal, todos gostamos de ter a despensa cheia, sem pensarmos de onde vêm realmente os produtos, nem as questões associadas às emissões de CO2 dos seus transportes.
Relativamente a grandes barragens, bom, podia referir uma ou outra bacia, Mas ainda se encontravam por lá gravuras, e lá vinha o slogan: "As gravuras não sabem nadar".
Agora mais a sério: na "nossa" mentalidade pequenina, tudo é um obstáculo. É mais fácil comprar já feito que investir/produzir. E às vezes (muitas vezes), quando fazemos as coisas, fazemo-lo pela metade. Se a cota do Alqueva fosse 154m, e não os 152m, aumentava-se os tais 400 ou 500hm3. Só que na altura não se acreditava que a barragem enchesse. E a bombagem de Pedrógão que tem um grande afluente (rio Ardila) foi um tanto ao quanto desprezada.
A grande parte das nossas barragens são anteriores à década de 60. Nos dias de hoje, projetos como a cascata do Cávado, do Zêzere, do Douro ou até do Alqueva não sairiam do papel. Seriam certamente intitulados de projetos de doidinhos ou de pessoas sem noção. Além de parte da eletricidade e de 50% do que comemos, importaríamos também água. Fácil!
Ironias à parte, como dizia em cima, muitas das nossas barragens têm mais de 50 anos. Foram projetadas para as necessidades da altura. A par com a renovação de condutas e melhoramento da eficiência da gestão da água, seria interessante/importante, ver-se caso a caso, a possibilidade de melhorar/alterar/ampliar as infraestruturas já existentes. Digo eu...